SEM AMOR A NOSSA VIDA NÃO É HUMANA

                                                                                                           CALMEIRO MATIAS

 

 

 

 

 

 

 

Sem amor o ser humano não tem razões válidas para viver.

O amor confere qualidade verdadeiramente humana à vida das pessoas.

De facto,

Os seres humanos não nascem humanizados.

A humanização é um processo gradual que implica decisões, escolhas, opções e planos marcados com o selo do amor.

O ser humano humaniza-se assim:

Cresce como ser espiritual através das relações de amor com os outros.

Crescer espiritualmente significa que a nossa interioridade pessoal cresce em densidade espiritual e em capacidade para fazer o bem.

Por outras palavras,

À medida em que cresce como interioridade pessoal-espiritual,

O ser humano torna-se capaz de comungar mais e melhor com os outros.

Sem amor é impossível acontecer a humanização do Homem.

Não basta ser inteligente.

A inteligência sem amor gera perversões e cria armas assassinas que matam muitos milhões.

Sem amor,

O sucesso torna as pessoas arrogantes e opressoras.

Sem amor,

A justiça torna-se prepotente e injusta.

Sem amor,

A riqueza torna as pessoas avarentas e desumanizadas.

A verdade,

Sem amor,

Converte-se em afirmações agressivas que vão magoar os outros.

A beleza,

Sem amor,

Deixa de ser um caminho para a ternura e a comunhão.

A autoridade,

Sem amor,

Torna tiranos aqueles que a exercem e machuca aqueles que lhe são subordinados.

O trabalho,

Sem amor,

Torna as pessoas infelizes e subservientes.

Se for realizado num clima de amor,

O trabalho converte-se num modo privilegiado de o ser humano se realizar como pessoa.

A oração,

Sem amor,

É hipocrisia farisaica.

Sem amor,

As leis geram servilismo e mecanismos de revolta.

O amor é criativo:

Todos os dias inventa gestos e atitudes adequados para ajudar os outros a crescer.

Sem amor,

A fé não é teologal,

Isto é,

Não é um dom do Espírito Santo.

Com efeito,

A vida teologal concretiza-se em atitudes de Fé,

De Esperança e Amor Caridade,

Ou seja,

Amor ao jeito de Cristo.

Sem amor,

A fé tende a gerar fanatismo religioso.

Sem amor,

A pessoa humana não atinge a sua realização.

Por outro lado,

De facto,

O amor dos outros capacita-nos para amar.

É o amor dos outros que nos confere o leque de talentos que possibilita a nossa realização.

Os nossos planos e opções de amor são o modo de realizarmos os talentos que recebemos através do amor dos outros.

São Paulo,

O grande cantor do amor ao jeito de Cristo,

Isto é,

A caridade,

Diz o seguinte:

“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos,

Se não tiver caridade,

Sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine.

Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência,

Se não tiver caridade.

Ainda que eu tenha uma fé tão grande que transporte montanhas,

Se não tiver caridade,

Nada sou.

Mesmo que eu distribua todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado,

Se não tiver caridade,

De nada me aproveita.

A caridade é paciente e prestável.

Não é invejosa.

Não é arrogante ou orgulhosa.

A caridade não faz coisas inconvenientes,

Nem procura o seu próprio interesse.

A caridade não se irrita nem guarda ressentimento.

Não se alegra com a injustiça,

Mas rejubila com a verdade.

A caridade tudo desculpa,

Tudo crê,

Tudo espera,

Tudo suporta.

A caridade jamais passará” (1 Cor 13, 1-8).

Resumindo este hino maravilhoso ao amor podemos dizer:

Sem amor,

A nossa vida não é humana e,

Portanto,

Não pode ser divinizada!