MARIA TEVE UM
MENINO
Calmeiro Matias

Maria Teve
Um Menino!
Depressa se
conheceu a Boa Nova!
De facto,
as amigas de Maria comunicavam a notícia de maneira veloz…
E faziam-no
com uma alegria parecida à alegria dos que anunciam o Evangelho.
O Menino de
Maria nasceu e cresceu no meio de muito amor.
Era um
Menino encantador como todos os meninos…
O seu olhar
e o seu sorriso atraíam o encanto dos adultos.
Pouco a
pouco, começou a criar espanto com as suas descobertas infantis.
O Menino de
Maria era uma criança traquina e encantadora, como as outras crianças!
Chorava,
Tinha fome
de felicidade,
Alimentava
sonhos e esperanças.
Como os
meninos bem amados crescia feliz.
Tinha uma
grande capacidade de amar,
Como
acontece com os meninos que recebem muita ternura.
Em Nazaré,
Toda a
gente dizia que o filho de Maria era um Menino encantador.
Mas ninguém
podia imaginar o alcance salvador daquele Menino a crescer.
O Menino de
Maria cativava todos os que o tomavam ao colo.
Mas ninguém
suspeitava que aquela criança havia de chamar pai ao próprio Deus!
No coração
do Menino de Maria,
O Divino
enxertou-se no Humano,
A fim de a
Humanidade ser divinizada.
No coração
desta criança aconteceu o mistério da Encarnação: o melhor de Deus encontrou-se
com o melhor da Humanidade.
Apesar de
ninguém suspeitar, aquele Menino era o Salvador de todos os seres humanos.
A sua
interioridade espiritual humana interagia de modo directo com a interioridade
espiritual divina da segunda pessoa da Santíssima Trindade.
O princípio
que animava esta interacção humano-divina era o Espírito Santo que é a ternura
maternal de Deus.
As pessoas
que faziam carícias ao Menino de Maria não podiam imaginar que,
No encanto
desta criança,
Se
exprimia,
Em grandeza
humana,
A ternura
do próprio Deus!
Como as
demais crianças,
O Menino de
Maria era uma concretização única, original e irrepetível de Humanidade.
Mas, além
disso, levava em si o mistério de amor de Deus pelo Homem.
No Menino
de Maria encontrou-se o melhor de Deus com o melhor do Homem.
A sua
interioridade humano-divina era constituída por uma unidade orgânica e dinâmica
de um homem com a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.
O Humano e
o Divino,
No Menino
de Maria,
Estão
unidos sem fusão nem confusão.
Esta união orgânica
consiste numa perfeita interacção entre o melhor da Divindade com o melhor da
Humanidade.
O Filho de
Maria é homem com todos os homens que nasceram de Adão.
Mas também
é Deus, com o Pai e o Espírito Santo.
Esta união
orgânica era possível graças ao facto de a Divindade ser constituída por
pessoas e Humanidade também.
É certo que
as pessoas humanas não são iguais às divinas, mas são-lhe proporcionais.
Eis a razão
pela qual aconteceu o enxerto do divino no humano em Jesus de Nazaré.
O Espírito
Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade e o amor maternal de Deus.
É uma
pessoa que se exprime como princípio animador de relações e vínculo de comunhão
amorosa.
É a pessoa
divina que reúne as condições ideais para alimentar a interacção humano-divina
do Filho de Maria.
Graças ao
facto de esta criança ser homem connosco, passámos a fazer parte da família de
Deus.
Como
sabemos,
A
Humanidade forma um todo orgânico.
É como uma
videira e os seus ramos, diz o evangelho de São João.
O Menino de
Maria é a cepa e nós os ramos.
A seiva que
vem da cepa para os ramos é o Espírito Santo,
O qual
torna a nossa vida fecunda é a seiva que recebemos da cepa.
Eis o que o
Filho de Maria nos diz no evangelho de São João:
“Permanecei
em mim, que eu permaneço em vós.
Tal como os
ramos não podem dar frutos por si mesmos,
Mas só
permanecendo na videira,
Assim também
acontecerá convosco,
Se não
permanecerdes em mim.
Eu sou a
videira,
Vós os
ramos.
Quem
permanece em mim,
E eu nele,
Esse dá
muito fruto,
Pois sem
mim nada podeis fazer.
Se alguém não
permanecer em mim,
É lançado
fora,
Como um
ramo,
E seca” (Jo
15, 4-6).
O Menino de
Maria é o portador da vida eterna e da comunhão com Deus para a Humanidade.
É este o
mistério do Menino de Maria.
Ele é a
Cabeça da Nova Humanidade recriada pelo Espírito Santo e reconciliada com Deus.
Esta
criança crescia como outra criança qualquer.
Chamava pai
a um homem e mãe a uma mulher.
Quando o
Menino de Maria brincava com os outros meninos,
Ninguém
podia imaginar o mistério que se ocultava no coração daquela criança.
O próprio
Filho de Maria só foi descobrindo este mistério de modo gradual e progressivo.
Mas
descobriu que a plenitude dos tempos,
Isto é,
A divinização
da Humanidade,
Acontece a
partir da sua condição de Filho de Maria organicamente unido ao Filho Eterno de
Deus.
O Menino de
Maria é a expressão máxima da fecundidade de Maria.
Mas é
também a garantia da nossa salvação.
Graças ao
Menino de Maria,
A Vida
Eterna está ao nosso alcance.
Ele é a Árvore
da Vida colocada por Deus no centro do Paraíso,
Da qual Adão
não foi digno,
Como diz o
livro do Génesis:
“O Senhor
Deus disse, então:
“Eis que o
Homem,
Quanto ao
conhecimento do bem e do mal,
Se tornou
como um de nós.
Agora é
preciso impedi-lo de estender mão e colher o fruto da arvore da vida e, comendo
dele,
Viva para
sempre”.
O Senhor
Deus expulsou Adão do Jardim do Éden,
A fim de
cultivar a terra da qual fora tirado” (Gn 3, 22-24).
Adão fechou
o Paraíso á Humanidade.
O Filho de
Maria,
Pelo contrário,
Abriu o
Paraíso à Humanidade simbolizada no Bom Ladrão, como diz o evangelho de São
Lucas:
Eis o diálogo
de Jesus com o Bom Ladrão:
“Jesus,
lembra-te de mim quando estiveres no teu Reino.
Jesus
respondeu-lhe: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,
42-43).
O Menino de
Maria é o Novo Adão.
Além disso,
É também a Arvora
da vida que nos dá o fruto da Vida Eterna:
“Quem come
a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu hei-de ressuscitá-lo
no último dia.
De facto,
A minha
carne é uma verdadeira comida e o meu sangue é uma verdadeira comida e o meu
sangue é uma verdadeira bebida.
Quem come a
minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e eu nele.
Assim como
o Pai que me enviou vive e eu vivo pelo Pai,
Também aquele
que me come viverá por mim” (Jo 6, 54-57).
Bendita és
tu Maria,
Por teres
tido um Menino assim!
És
realmente digna de ser aclamada por todas as gerações, pois com a tua
maternidade teve início a nossa restauração.
Graças ao
teu Menino,
Maria,
A
Humanidade deu um salto de qualidade,
Pois atingiu
a plenitude da divinização.
Graças ao
teu Menino,
Maria,
Já fazemos
parte da comunhão familiar da Santíssima Trindade!