HINO A CRISTO RESSUSCITADO
Calmeiro Matias

És o senhor da Vida, pois venceste a morte!
Edificaste sobre o alicerce do Amor,
Por isso não podias ficar no vazio do nada.
Habitas no nosso coração porque deste a vida por todos nós.
De ti nos vem o Espírito Santo que nos incorpora na Comunhão
humano-divina, cujo coração és tu.
Apesar de seres homem como nós, pertences à esfera de Deus.
A tua interioridade pessoal humana está organicamente ligada à
interioridade pessoal divina do filho Eterno de Deus.
O homem Jesus está orgânica e directamente ligado à comunhão da
Santíssima Trindade.
Jesus Cristo, o pilar humano do teu ser, faz um com o Filho de Deus,
pilar divino desta tua totalidade humano-divina.
Enquanto Cristo assentas em dois pilares que fazem uma unidade orgânica
no Espírito Santo.
Do mesmo modo, em Deus, o Filho e o Pai fazem uma unidade orgânica no
Espírito Santo.
A união acontece no Espírito Santo, coração maternal de Deus, princípio
animador de relações e vínculo de unidade orgânica.
Em Deus, o Espírito Santo é princípio animador da interacção e
união orgânica de Deus Pai com Deus Filho.
Do mesmo modo, em Cristo, o Espírito Santo é princípio animador da
interacção e união orgânica do Filho Eterno de Deus com o homem Jesus de
Nazaré.
O Espírito Santo é o coração que anima e dinamiza o mistério da
Encarnação. É também o dinamismo vital que ressuscita Jesus Cristo e, através
dele, nos ressuscita a nós.
Cristo Ressuscitado...
És o Senhor do Universo e a Cabeça da Nova Criação.
És o vencedor da morte.
Graças à tua ressurreição,
A nossa vida atingiu a plenitude.
Por seres homem connosco pertences à organicidade humana universal.
Do mesmo modo, por seres Deus com o Pai e o Espírito Santo, pertences à
organicidade divina da Santíssima Trindade.
És do lado de Deus e do Homem;
Como Cristo, o teu rosto tem uma face humana e outra divina.
Humano e divino, em ti, encontram-se indissoluvelmente interligados.
Eis o mistério da Encarnação.
És o único medianeiro da Salvação (1 Tm 2, 5).
Elegeste a Humanidade como alvo do teu bem-querer, dando a vida por
ela.
Por isso vives em todos nós.
Viveste a nossa condição de homens em construção, por isso sintonizas
plenamente connosco.
Em ti, a dimensão divina não anula a humana, pois não são concorrentes
mas cooperantes e convergentes.
Não existe concorrência entre o Humano e o Divino mas, perfeita
cooperação.
És a garantia de que o Divino, ao tocar o Humano, não o anula.
O divino optimiza o humano nessa interacção humano-divina
animada pelo Espírito Santo.
Deste modo, nos dás a certeza de que o humano será assumido no divino,
sem o mutilar ou empobrecer.
Esta seiva é o Espírito Santo que, a partir da tua morte e
ressurreição, nos é comunicado de modo intrínseco.
Só em ti podemos atingir a plenitude da divinização, isto é, ser
incorporados na Família Divina com filhos em relação a Deus Pai e irmãos em
relação a Deus Filho.
Deste modo, o Humano é enriquecido como o ramo de limoeiro, frágil e
doente, é enriquecido pela seiva da laranjeira vigorosa depois de nela ter sido
enxertado.
És o Senhor da Vida...
És digno de ser bendito e louvado, pelos habitantes da Terra e do Céu.
Mereces a gratidão de todas as gerações, pois conferes sabor e sentido
pleno à nossa vida.
És a cabeça da Nova Humanidade e a cúpula da Criação restaurada.
És o selo da Nova e Eterna aliança.
Em ti, o Humano e o Divino, são já inseparáveis. É aqui que radica a
nossa salvação.
Somos salvos na medida em que formamos um todo orgânico contigo.
Ninguém se salva sozinho, isto é, separado de ti e dos irmãos.
Sabemos pela revelação de Deus que, todos os que se salvam salvam-se em
Cristo. Mas isto não significa que apenas os cristãos se salvam.
Fora de ti somos ramos estéreis que não prestam para a vida.
Os que te odiaram e mataram exprimiram as forças de morte que habitam o
coração humano desde o fratricídio de Caim.
No momento da tua morte, os teus inimigos cantaram vitória.
Não podiam imaginar que, esse momento, significava o início da vitória
sobre as forças do egoísmo fratricida.
Como Cristo, és humano e divino. Como Filho eterno de Deus, estiveste
no início da criação como Sabedoria inspiradora do projecto criador e salvador
de Deus.
Como homem foste em tudo igual a nós excepto no pecado. Viveste ao lado
dos outros homens sem os considerares inferiores ou indignos da tua amizade.
Revelastes-nos o rosto de Deus, pois a tua acção era a expressão da
vontade do Pai.
O amor incondicional com que nos amaste foi a expressão da paixão de
Deus por todos nós.
Por isso, no momento da tua ressurreição inauguraste, com os que te
precederam na história, a festa da Comunhão Universal.
Ao ressuscitares, entraste com os que viveram antes de ti no Reino dos
Céus, isto é, na intimidade familiar de Deus.