CRIADOS PARA SER LIVRES

                     CALMEIRO MATIAS

 

 

 

 

 

 

 

Deus Santo,

nós vos damos graças pela nossa vocação à liberdade.

Vós sonhastes a Humanidade como uma comunhão

constituída por pessoas livres.

 

A liberdade é a capacidade de a pessoa se relacionar amorosamente

com os outros e interagir criativamente com as coisas e os acontecimentos.

 

O Espírito o Espírito Santo, é uma força libertadora, pois

optimiza a nossa capacidade de nos relacionarmos de

modo amoroso e criativo.

 

Realmente, a pessoa livre nunca a deixa as coisas como estavam depois de ter

interagido com elas.

 

São Paulo vê na pessoa do Espírito Santo a fonte a partir

da qual emerge a força da liberdade:

 

“Onde está o Espírito Santo, dizia ele, aí está a liberdade” (Rm 8, 2; 2 Cor 3, 17).

 

Por seu lado, Jesus Cristo, diz que a liberdade e a verdade

caminham juntas:

 

“Se permanecerdes fiéis à minha Palavra, sereis

verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade e

a verdade vos tornará livres” (Jo 8, 31-32.

 

As pessoas que nada fazem para sair do erro, da

mentira e da ignorância nunca chegarão ser livres.

 

O Espírito da Verdade é também o Espírito da liberdade.

Com efeito, a verdade é a compreensão e enunciação correcta e

adequada da realidade de Deus, do Homem, da História e do Universo.

 

Se a verdade tem um horizonte tão vasto, temos de reconhecer

que só Deus tem a verdade plena.

 

O evangelho de São João diz que só o Espírito Santo nos

pode conduzir à verdade total (Jo 16, 13).

 

A pessoa humana não nasce livre, mas nasce com

a capacidade de se realizar como pessoa livre.

 

A possibilidade de o ser humano ser livre está alicerçada

no livre arbítrio, a capacidade psíquica de optar pelo bem

ou pelo mal.

 

A liberdade é o resultado de uma cadeia de opções,

escolhas e realizações na linha do amor.

 

Isto significa que a liberdade é sempre um bem. Mas não a devemos confundir com o livre arbítrio.

 

Na verdade, o livre arbítrio é a possibilidade de ser livre,

mas não a liberdade. 

 

Deus é infinitamente livre e, no entanto, não tem livre

arbítrio, pois não pode escolher pelo mal.

 

 

 

O ser humano não pode tornar-se livre sem exercitar o

livre arbítrio. Mas não basta exercitar o livre arbítrio para

uma pessoa ser livre.

 

Na verdade, o livre arbítrio pode ser orientado para o bem

ou para o mal. O mesmo já não acontece com a liberdade.

 

A pessoa não nasce livre, mas à medida em que se realiza como pessoa

vai-se tornando livre. Só em relações de amor a pessoa se pode tornar livre.

 

Deus não nos criou acabados, a fim de podermos tomar

parte na nossa realização e chegar a ser livres.

 

A pessoa realiza-se optando pelo bem e torna-se livre

na medida em que se realiza.

 

A realização pessoal implica que a pessoa se torne livre,

Consciente, responsável e capaz de comunhão amorosa.

 

A liberdade de uma pessoa, portanto, coincide com o grau

da sua realização e com a sua capacidade de fazer o bem.

 

Eis a razão pela qual Deus é infinitamente livre, apesar de não livre arbítrio.

 

Referindo-se à força libertadora do Espírito Santo, São

Paulo diz que Cristo nos liberta, a fim de sermos real e

verdadeiramente livres (Ga 5, 1).

 

A força libertadora do Espírito Santo consiste em que ele

nos fortalece e capacita para fazermos o bem.

 

A liberdade é, portanto, um resultado. É o resultado de

uma cadeia de decisões, opções, e realizações na linha do

amor.

 

Quanto mais a pessoa emerge e se estrutura como ser

livre, maior é a sua capacidade de amar e interagir de

modo criativo com as coisas e os acontecimentos.

 

È verdade que o contexto social pode facilitar ou

condicionar o exercício do nosso livre arbítrio. Mas

não é capaz de destruir o núcleo da liberdade adquirida.

 

Não é pelo facto de uma pessoa estar na cadeia que deixa

de ser livre.

 

No entanto, essa pessoa está limitada nas possibilidades de

exercitar o livre arbítrio. Mas a sua liberdade não está

destruída por esse facto.

 

A liberdade humana fica fortalecida sempre que a pessoa

se relaciona amorosamente com os outros.

 

Com efeito, o ser humano não é igual ao que diz, mas sim

 igual ao que faz, pois a pessoa faz-se, fazendo.

 

O evangelho de São João diz que a Palavra de Deus e o

Espírito Santo são nos ajudam a caminhar em direcção

À plena liberdade (Jo 8, 31-32).

 

Na verdade, a palavra e o Espírito Santo convidam-nos a

optar na linha do amor.

 

 

Eis a razão pela qual São João diz que Cristo, ao

libertar-nos, nos torna realmente livres (Jo 8, 36).

 

A densidade da nossa realização pessoal é o termómetro

que indica o grau de liberdade que vamos atingindo.

 

Podemos dizer que a liberdade é um dom de Deus, pois

os dons de Deus são-nos concedidos sempre em forma de

possíveis.

 

De facto, os dons de Deus não são nunca imposições,

mas dádivas que podemos aceitar ou rejeitar.

 

A maneira concreta de aceitarmos o dom da liberdade é

Actuarmos de modo a realizar as possibilidades que temos

de chegar a ser pessoas livres, conscientes e responsáveis.

 

Deus Santo,

nós vos agradecemos a possibilidade que nos dias de nos

realizarmos como pessoas e atingirmos a liberdade.

 

Louvado sejais, pelo facto de a liberdade ser o grande bem

que nos possibilita a comungar convosco e com os irmãos.

Aleluia!