CONFIGURAR-SE COM CRISTO

            CALMEIRO MATIAS

 

 

 

 

 

Deus Santo,

Nós vos damos graças porque a acção transformadora da Vossa Palavra vai recriando o nosso coração e a nossa mente em harmonia com os critérios do Evangelho.

 

De modo gradual e progressivo, o Espírito Santo vai-nos moldando, ao ponto de nos tornarmos cada vez mais semelhantes a Jesus Cristo.

 

À medida em que o Espírito Santo nos vai configurando com Cristo, nós começamos a olhar a realidade e a interpretá-la de acordo com os vossos critérios Deus Santo.

 

E é assim que o nosso modo de ser e agir se torna cada vez mais semelhante ao de Jesus.

 

O Espírito Santo começa a convidar-nos a optar pela não-violência activa tal como ele fez, gerando em nós uma coragem capaz de denunciar os critérios do mundo.

 

A Palavra de Deus ensina-nos a fazer do perdão uma atitude central no nosso modo de ver e agir.

 

Mas o perdão não deve confundir-se com dever calar-se perante as injustiças e deixar, e deixar de lutar contra a violência e a opressão das forças injustas.

 

A vossa Palavra, Deus Santo, ajuda-nos a descobrir as forças do mal que reinam no nosso mundo, e o Espírito Santo fortalece-nos e convida-nos a denunciá-las, fazendo-lhes frente, tal como Jesus fez.

 

Eis algumas dessas forças negativas que, no presente, se fazem notar como forças que se opõem frontalmente ao plano de Deus:

 

O egoísmo e a indiferença face ao sofrimento e a miséria reinante no nosso mundo.

 

As guerras mortíferas, provocadas por meros interesses económicos.

 

A leviandade com que se põe em perigo o equilíbrio ecológico.

 

O tráfico de drogas que, pouco a pouco, vão fazendo de muitos milhões de pessoas simples trapos humanos.

 

A distribuição injusta das riquezas, dando origem a que todos os dias morram de fome muitos milhares de pessoas.

 

A violação e o abuso sexual de crianças, provocando nelas distorções enormes, bloqueando a sua capacidade de humanizar e construir como pessoas felizes.

 

A violência que se manifesta nas formas mais diversas, tais como a tortura, a exploração dos países pobres por parte dos ricos, o comércio de órgãos humanos a escravização e comércio de mulheres.

A distorção da verdade levada a cabo pelos poderosos meios de comunicação, pelos senhores da guerra ou pelos poderosos grupos de pressão.

 

A Palavra de Deus ajuda-nos a compreender a dignidade da pessoa humana, a qual não só foi criada à imagem de Deus como também já foi incorporada por Cristo na própria Família Divina.

 

O Espírito Santo consagra-nos, tal como consagrou Jesus, para defender a dignidade e os direitos das pessoas de todas as raças, línguas, povo e nações.

 

Deus Criou-nos, a fim de formarmos a Comunhão Universal da Família de Deus cujo coração é a Comunhão Familiar da Santíssima Trindade.

 

Impedir um ser humano de se realizar como pessoa é mutilar a Humanidade, pois cada pessoa é uma dádiva única, original e irrepetível do processo de emergência histórica do Homem.

 

O amor é interveniente e tenta sempre. Não há amor autêntico que não procure ser fermento transformador nas situações que desumanizam ou impedem a humanização dos seres humanos.

 

Somos pela não-violência porque o ódio gera violência e esta nunca será capaz de extirpar ou vencer o ódio.

 

À luz do Evangelho apenas o amor é capaz de vencer o ódio e criar um alicerce forte para edificar a Nova Humanidade.

O grande sonho de Jesus Cristo era edificar a fraternidade universal, a única base sólida para edificar a Família Universal de Deus (Rm 8, 14-16).

 

É verdade que as pessoas não são iguais nas capacidades e talentos, mas são todos iguais em dignidade e direitos.

 

É urgente reinventar caminhos que nos permitam avançar na conquista da justiça e da fraternidade, a fim de ajudarmos a nascer o Mundo Novo querido por Deus.

 

Os discípulos de Cristo, por serem pela não-violência activa, estão chamados a denunciar todas as formas de violência.

 

Os cristãos, apesar de saberem que correm o perigo de sofrer uma morte violenta, são chamados a denunciar todas as formas de violência, comprometendo-se com a não-violência activa.

 

Deste modo se vão configurando com Cristo, como aconteceu com São Paulo que chegou a dizer: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Ga 2, 20).

 

Jesus ensinou aos seus discípulos que a qualidade de uma vida não se mede pelos anos da sua duração, mas sim pela densidade do seu amor.

 

Por seu lado, a densidade do amor mede-se pela capacidade de gastar a vida pelo serviço dos irmãos: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jo 15, 13).

 

Espírito Santo,

obrigado por seres uma luz e um apelo constante a dar sentido à minha vida, respondendo a questões fundamentais com estas:

 

Qual o sentido que estou dando à minha vida? Faço da minha existência um serviço à causa da justiça e da fraternidade?

 

Deus e o Homem Novo são realmente uma questão primeira na minha vida?

 

Ajuda-me, Espírito Santo, a encontrar os melhores caminhos de realização para mim e para os que se cruzam comigo na vida.