COMO É A
PESSOA HUMANA?
CALMEIRO MATIAS

A base do nosso ser é o corpo. Mas a pessoa não se esgota no seu corpo.
O nosso corpo liga-nos à Terra da qual obtemos constantemente os elementos
essenciais à vida.
É também através do nosso corpo que comunicamos e convivemos com as outras
pessoas.
O nosso corpo é um ser vivo que tem necessidades, tais como:
Fome, sede, necessidade de conforto, de repouso, de movimento, de sono, de
vigília, de higiene e muitas outras. Muitos dos nossos comportamentos estão
marcados e condicionados pelas necessidades do nosso corpo: comer, vestir,
higiene, sexualidade e outras.
O nosso corpo é também um receptor de ternura. Precisamos muito de receber
ternura para crescermos como pessoas felizes e equilibradas.
As crianças que recebem ternura e carícias desenvolvem melhor as suas
capacidades corporais e mentais. Ficam mais capacitadas para se tornarem
pessoas felizes.
As crianças que não recebem carícias nem ternura ficam mais atrofiadas no
corpo e muito mais pobres na sua vida psíquica mental.
É fácil observar como existe uma grande variedade de comportamentos nos
seres humanos. Muitos destes comportamentos dependem do facto de as pessoas,
quando eram crianças, terem recebido ou não carícias e a ternura de que
precisavam.
Muitas pessoas que não receberam ternura ou carícias quando eram crianças,
têm comportamentos incorrectos no modo de satisfazer as necessidades do seu
corpo. Se estivermos atentos, podemos observar em nós, e nos outros, algumas
atitudes que não são as melhores: relações agressivas, necessidade de se
compensar com muitas guloseimas, comer demasiado, busca exagerada de prazeres e
satisfações, intolerância, ou ser demasiado exigente com os outros.
A maior parte destes comportamentos é o resultado de as pessoas, quando
eram crianças, não terem recebido a ternura e o carinho de que tinham
necessidade.
Hoje sabe-se que as crianças que foram muito privadas de ternura e carícias
ficam frágeis, com menos defesas e, portanto, mais sujeitas a doenças.
Para lá do nível da vida corporal, temos também o nível da vida psíquica ou
mental, isto é, os nossos sentimentos, afectos, emoções, desejos, aspirações e
a maneira como reagimos às situações do dia a dia.
De facto, não somos ilhas em relação aos que nos rodeiam. Somos seres em
construção e só nos podemos construir em comunhão com os outros.
O nosso psiquismo estrutura-se em dinâmica histórica. Não nascemos
inteiramente determinados.
Por outras palavras, as possibilidades que recebemos pela herança genética
podem dar uma pessoa com um determinado jeito de viver, ou com outro bastante
diferente.
Isto depende do contexto familiar, escolar, social e cultural. Esta verdade
está testada com o caso de gémeos verdadeiros que cresceram e se realizaram em
contextos muito diferentes.
A nossa inteligência e a nossa
vontade não são faculdades isoladas das outras capacidades da pessoa nem se
desenvolvem independentemente do contexto social em que a pessoa se realiza.
A história das nossas vivências emocionais condiciona ou possibilita a
nossa capacidade de entender e de escolher.
Estamos chamados a construirmo-nos de modo livre, consciente e responsável.
Mas isto só é possível graças ao facto de, em nós, os instintos terem sido
enfraquecidos pela maravilhosa complexidade e riqueza do nosso cérebro.
A vida psíquica e a vida corporal estão interligadas. Formam a parte
exterior das pessoas humanas. O nível mais importante das pessoas é a vida espiritual
que forma a dimensão interior de cada um de nós.
A vida espiritual é a nossa interioridade espiritual. É a dimensão imortal
do ser humano. A nossa interioridade pessoal-espiritual desenvolve-se e cresce
no mais íntimo da pessoa humana.
O ponto mais importante da vida espiritual é o que a Bíblia chama de
coração, isto é, o centro onde decidimos fazer o bem e amar a Deus e aos
irmãos.
É no nosso coração que habita o Espírito Santo, o qual nos fortalece, e
capacita para fazermos o bem às pessoas, como Jesus fez.
Mas o nosso corpo faz uma unidade interactiva com o mundo dos que nos
rodeiam. Somos seres sociais.