CHAMADOS A RENASCER
CALMEIRO MATIAS

Nascemos para renascer,
pois o nosso ser interior, por ser
espiritual,
não nasce dos impulsos da carne,
mas da ternura maternal do Espírito Santo.
Nascemos para entrar na
marcha
da humanização cuja lei é:
“Emergência pessoal mediante relações
de amor e convergência para a
Comunhão Universal”.
Emergir como pessoa
significa
crescer em densidade espiritual e capacidade
de interagir com os outros
em dinâmica de comunhão.
A marcha da evolução
trouxe-nos até
à complexidade cerebral própria do homem.
O ser humano está a
emergir e a estruturar-se
em duas dimensões profundamente diferentes:
a exterior que é o
nosso ser individual e mortal
e a interior que é o nosso ser pessoal, e
que,
por ser espiritual, é irreversível ou
imortal.
O nosso ser espiritual é
ressuscitável e está
chamado viver eternamente com Deus.
No interior do nosso ser
exterior emerge o interior
como o pintainho emerge dentro do ovo.
A plenitude da vida
pessoal,
por ser espiritual, acontecerá no dia
em que o ovo eclodir e o pintainho nasça
para a comunhão universal.
Nascemos para renascer,
emergimos como
pessoas chamadas a convergir
para a Comunhão da Família de Deus.
O nosso ser espiritual cresce
mediante
relações de amor, e estrutura-se em densidade
de como vida eterna.
Renascer é emergir como
vida pessoal,
a qual é espiritual e, portanto, semelhante
e
portanto, proporcional à vida divina.
Na verdade, a Divindade é
pessoas
e a Humanidade também.
Fechada em si e separada
da comunhão,
O ser humano está estado
de malogro.
Apenas em relação com os
outros a pessoa
se possui e encontra a sua plena
identidade.
Ser pessoa é ter um
coração capaz de eleger o outro
como alvo de amor.
A pessoa humana tem a
capacidade de eleger os outros
como irmãos, mesmo para lá dos laços do
sangue.
As pessoas divinas também
nos elegeram como
membros da Família Divina: filhos em relação a
Deus Pai e irmãos em relação ao Filho de Deus.
A nossa identidade é histórica.
Para nos dizermos
temos de contar uma história.
Isto quer dizer que
seremos eternamente segundo nos
realizemos agora na história. Não nascemos como
pessoas feitas, por isso nascemos para
renascer.
O nosso ser pessoal-espiritual
mede-se pela capacidade
de amar e comungar. Vale, não pelo que tem
ou sabe,
mas sim por aquilo que é.
À medida em que
renascemos emergimos como seres
livres, conscientes e responsáveis.
Estamos talhados para a
comunhão e por isso a nossa
plenitude é a Família de Deus a cuja imagem fomos
moldados.
A plenitude da Humanidade,
portanto,
acontece mediante a incorporação na comunhão
familiar da Santíssima Trindade.
Eis o sentido desta fome
de renascer que é um convite permanente a vencer os nossos limites de sangue,
de
raça, de nacionalidade ou condição social.
Deus Santo,
nascemos talhados para Vós e por isso
pertencemos à
cúpula da criação formada pela comunhão do
Homem com Deus.