A VINDA GLORIOSA DE JESUS CRISTO

CALMEIRO MATIAS

 

 

 

À luz da Fé Cristã,

A Humanidade está na plenitude dos tempos.

Esta expressão,

Além de significar avanço e aperfeiçoamento,

Tem como pano de fundo um salto de qualidade:

A Humanidade deu um salto qualitativo.

Graças ao acontecimento de Cristo,

O projecto de Deus acerca do Homem entrou na fase dos acabamentos.

Está em marcha a dinâmica da divinização.

A plenitude dos tempos,

Portanto,

Significa a última etapa,

A fase final do plano criador e salvador de Deus.

A plenitude dos tempos significa que a Humanidade entrou na fase final da História.

Esta expressão não tem qualquer conotação de fim imediato.

Não deve ser entendida,

Como fizeram as comunidades apostólicas,

Como um acontecimento apocalíptico que iria consumar-se em breve:

A chegada iminente de Jesus ressuscitado,

Agora constituído rei poderoso e implacável,

Disposto a destruir os pecadores.

Foi esta perspectiva que dominou os horizontes dos cristãos da primeira geração.

Para as comunidades apostólicas,

A vinda de Jesus aconteceria ainda durante a primeira geração (Lc 21, 20-30).

Esta perspectiva dos primeiros cristãos apoiava-se nos apocalipses dos profetas e, sobretudo,

Na visão trágica dos apocalipses judaicos não inspirados.

O dia da chegada de Jesus,

Segundo esta expectativa apocalíptica,

Seria um dia da tragédia.

Seguindo a linguagem dos apocalipses judaicos,

Os Apóstolos e os Evangelistas falavam do dia da ira.

Era também esta a perspectiva de João Baptista (Mt 3, 7-10).

Estudos mais aprofundados da Bíblia chegaram à conclusão de que o final do projecto de Deus,

Não é um acto trágico de condenação e destruição dos pecadores,

Mas um acto de amor através do qual Deus salva tudo o que nos seres humanos é possível ser assumido em Deus e glorificado.

Nesse dia,

 Nada do que de salvável existe no ser humano ficará perdido no vazio do nada.

Pelo contrário,

Tudo será assumido e optimizado na comunhão da Santíssima Trindade.

Sabemos que só pode ser salvo aquilo que,

Na pessoa humana,

Foi construído através do amor.

Outro aspecto importante que devemos ter presente é este:

O final da História Humana não coincide com o final do Universo e,

Muito menos,

Com uma tragédia universal.

Jesus anunciou o Reino de Deus como um projecto amoroso de Deus para a humanidade.

A vontade de Deus é a incorporação da humanidade na comunhão amorosa da Divindade.

Se tivermos dúvidas,

Basta olhar para o comportamento de Jesus em relação aos pecadores.

Procedendo assim,

Jesus declarava estar a actuar numa linha de fidelidade total à vontade de Deus seu Pai:

“O meu alimento é fazer a vontade de meu Pai e realizar o seu projecto” (Jo 4, 34).

Na primeira Carta a Timóteo, São Paulo diz que a vontade de Deus é que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tim 2, 4).

No evangelho de João aparece Jesus a dizer:

“Não procuro a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 5, 30).

Graças ao mistério da Encarnação,

O projecto criador de Deus entrou na fase da salvação,

Isto é,

Entrou na comunhão orgânica da Humanidade a dinâmica da divinização.

O protagonista desta acção divinizante é o Espírito Santo,

Pessoa divina através da qual acontece a incorporação dos seres humanos na Família Divina.

Através Cristo ressuscitado,

A História Humana entrou na fase final.

Com efeito,

O mistério da Encarnação alterou qualitativamente a situação da humanidade no Plano de Deus.

Pela Encarnação,

O Divino enxertou-se no Humano,

A fim deste ser divinizado.

Durante cerca de trinta anos apenas um Homem foi divino: Jesus Cristo.

No momento da sua morte e ressurreição, Jesus entrou nas coordenadas da Comunhão Humana Universal,

Tornando-se a Cabeça da Nova Humanidade.

E o processo da construção humana atinge a fase da plenitude.

Foi deste modo que Jesus se tornou o coração do Homem Novo e o centro da Comunhão Orgânica Universal.

Ao morrer e ressuscitar,

Jesus fez-nos participantes da sua grandeza humano-divina.

Deste modo os seres humanos ficaram indissoluvelmente ligados à Divindade.

Incorporar o Homem na Família Divina era o plano de Deus desde os primórdios da Humanidade.

Mas este salto de qualidade só podia dar-se mediante o enxerto do divino no Humano,

A fim deste ser divinizado.

Antes de Cristo,

A Humanidade ainda não estava divinizada devido ao facto de o Divino ainda não ter sido enxertado no Humano.

A Bíblia diz que Jesus Cristo é um homem em tudo igual a nós Excepto no pecado

Graças a este facto,

O Espírito Santo passou a circular de modo intrínseco em todos os homens que estão unidos a Cristo.

Esta união humano-divina é algo semelhante,

Diz o evangelho de São João,

Ao modo como a seiva circula da cepa da videira para os ramos.

Graças a Cristo,

O Espírito Santo passou a ser, no interior da Humanidade,

O que era no interior da Divindade:

Princípio animador de relações e ponto de convergência comunitária.

A Unidade orgânica entre Cristo e o Pai

Animada pelo Espírito Santo,

Levou Jesus a dizer que ele e o Pai fazem um (Jo, 30).

O mesmo tipo de união orgânica acontece entre nós e Cristo (Jo 15, 1-8).

Do mesmo modo,

A salvação da Humanidade acontece através de uma união idêntica com a Divindade (Jo 17, 21-23).

É esta a grande verdade explicitada por São Paulo quando diz que somos membros do Corpo de Cristo (1 Cor 10, 17; 12, 27; 12, 13).

O Reino de Deus,

O Céu como muitas vezes lhe chamamos,

Não é mais que a comunhão orgânica da Humanidade com a Divindade.

O Céu é a intimidade com Deus na Comunhão universal do homem com Deus.

A nossa realização pessoal,

Por ser espiritual,

Será assumida nesta plenitude do Céu.

Agora estamos na fase da gestação.

O acontecimento da morte é como que o parto definitivo da vida,

Através do qual nasce o ser pessoal ou interior para a plenitude de Deus.

Agora é a génese do que seremos eternamente.

À medida em que emerge o nosso ser interior

Tornarmo-nos capazes de interagir e ser assumidos na comunhão orgânica,

Isto é,

No face a face com Deus.

Pela morte,

O nosso ser individual ou exterior entra nos circuitos físicos e químicos do Universo.

Mas este é apenas a “casca do ovo” em cuja interioridade emerge o pintainho.

Depois de o pintainho nascer,

A casca do ovo não tem mais função.

O nosso ser espiritual é uma janela aberta para transcendência.

À medida em que emerge,

Entra na comunhão da Transcendência total cujo coração é a Comunhão Familiar das três pessoas divinas,

A Humanidade inteira é uma unidade orgânica.

Ser salvo é ser assumido na comunhão humano-divina.

A plenitude da pessoa,

De facto,

Não está em si,

Mas na plenitude da Comunhão com Deus.

Como Jesus é um homem perfeito,

Não é possível separá-lo da totalidade humana.

Através de Jesus Cristo formamos uma unidade orgânica com o Filho Unigénito de Deus.

Graças à união orgânica e dinâmica de Jesus de Nazaré com o Filho Eterno de Deus,

Os seres humanos são incorporados na comunhão da Família divina.

Como vemos,

A vinda final de Jesus não é para ser temida mas amada e desejada.

O Filho Único e Eterno de Deus,

Graças ao mistério da Encarnação,

Torna-se o primogénito de biliões de irmãos gerados pelo Espírito Santo (Rm 8,14-17; Ga 4, 4-7).

O Espírito Santo é o amor maternal de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

É precisamente no nosso coração que acontece o novo nascimento pelo Espírito Santo,

Como diz o evangelho de São João:

“Em verdade te digo: quem não nascer do Alto não pode ver o Reino de Deus (…).

Quem não nascer da Água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. O que nasce da carne é carne, o que nasce do Espírito é espírito” (Jo 3, 3-6).

O Homem novo ou interior vai nascendo de modo gradual

São Paulo diz que,

Apesar de o nosso ser exterior envelhecer e ficar progressivamente degradado,

O Nosso ser interior,

Por ser pessoal e espiritual,

Vai-se renovando

E robustecendo em cada dia (2 Cor 4, 16).

Jesus Cristo é a Cabeça da Humanidade divinizada!

A sua vinda final é condição de salvação e plenitude para a humanidade.