A RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA PREGAÇÃO DOS APÓSTOLOS

                                                  CALMEIRO MATIAS

 

 Sem as aparições de Jesus Ressuscitado aos discípulos não havia Igreja nem tínhamos o Novo Testamento. A Igreja e o Novo Testamento são, ao longo dos séculos, as testemunhas da ressurreição de Jesus. Com efeito, a ressurreição de Jesus Cristo é o pano de fundo de todo o Novo Testamento.

A ressurreição de Cristo é o grande tema da pregação dos Apóstolos. É o coração da Boa Nova da Salvação. Vamos Ver a importância de algumas das afirmações principais da pregação do Apóstolos sobre a ressurreição de Jesus.

Estes homens, na quinta-feira à noite, negam Jesus e fogem. Dois dias depois, ei-los a gritar nas ruas, dizendo que Jesus é o Messias prometido por Deus e anunciado pelos profetas.

Só pode ter acontecido uma destas duas coisas: Ou endoideceram devido ao desgosto de terem traído Jesus, ou aconteceu um milagre. Doidos não estavam, pois argumentavam com as Escrituras ao ponto de confundirem os doutores da Lei e os especialistas das Escrituras. Então só pode ter sido um milagre. E o milagre foi, como diziam, terem visto o Senhor Ressuscitado.

Act 2, 24: “Mas Deus ressuscitou-o, libertando-o dos grilhões da morte, pois era impossível que Ele ficasse sob o domínio da morte”. De facto, o Senhor da vida não podia ficar sob o domínio da morte. Foi à morada dos mortos, não como morto, mas como Senhor da vida, a de ressuscitar os habitantes da morada dos mortos.

Act 2, 32-33: “ Foi este Jesus que Deus ressuscitou e disto nós somos testemunhas. Tendo sido elevado pelo poder de Deus, recebeu do Pai o Espírito Santo prometido e derramou o que vedes e ouvis”.

As aparições do Senhor Ressuscitado são experiências feitas no Espírito Santo. Experiência pascal dos Apóstolos e comunicação do Espírito coincidem (Jo 20, 21-23).

Act 2, 36: “Saiba toda a casa de Israel com toda a certeza que Deus estabeleceu como Senhor a esse Jesus por vós crucificado”. A ideia aqui subjacente é de que Jesus já está no Céu sentado à direita de Deus, isto é, entronizado como rei (cf. Sal 110, 1).

Act 3, 19-21: “Arrependei-vos, portanto, a fim de os vossos pecados serem apagados. Deste modo Deus vos concederá os tempos de perdão, quando enviar aquele que vos foi destinado, o Messias Jesus. Ele deve permanecer no Céu até ao momento de restauração de todas as coisas de que Deus falou outrora pela boca dos profetas”. Eis como nasceu o anúncio da Segunda vinda de Cristo.

Na lógica dos Apóstolos, se Jesus é o rei Messias, isso significa que ele vai voltar para restaurar o reino messiânico. Quando voltar virá, não já como servo sofredor e humilde, mas como Filho de Deus. Jesus é o filho de David, constituído filho de Deus, isto é, rei entronizado e ungido com a unção do Espírito Santo, no momento da sua ressurreição (Rm 1, 3-5).

Naquele dia vai vir como rei sentado sobre o seu trono. Aparecerá sobre as nuvens do céu como juiz que vem realizar o dia da ira e da condenação dos que o rejeitaram (cf. Lc 21, 20-30). O Evangelho de Lucas é duro para os que rejeitaram Jesus: “Quanto a esses meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os cá e degolai-os na minha presença” (Lc 19, 27).

Act 4, 10-12: “Ficai sabendo vós e todo o povo de Israel: é em nome de Jesus de Nazaré, que vós crucificastes e Deus ressuscitou dos mortos, que este homem se apresenta curado diante de vós. Ele é a pedra que vós, os construtores, rejeitastes, tornando-se pedra angular. Não há salvação em nenhum outro, pois não há debaixo do Céu qualquer outro nome que nos possa salvar”.

Cristo ressuscitado é o único medianeiro entre Deus e os homens (2 Tim 2,5). É verdadeiramente o único sumo-sacerdote que oferece o culto agradável a Deus pela salvação da Humanidade (Heb 10, 5-17).

Act 5, 30-32: “O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem matastes, suspendendo-o de um madeiro. Foi a Ele que Deus elevou com a sua direita como Chefe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados. E nós somos testemunhas destas coisas, juntamente com o Espírito Santo que Deus tem concedido àqueles que lhe obedecem”.

Cristo foi constituído rei e Senhor. Por isso está sentado à direita de Deus. Ele é a cabeça da Humanidade restaurada e reconciliada com Deus (2 Cor 5, 17-19).

Act 10, 39-42: “E nós somos testemunhas do que ele fez no país dos judeus e em Jerusalém. Mataram-no, suspendendo-o de um madeiro. Deus ressuscitou-o ao terceiro dia e permitiu-lhe manifestar-se, não a todo o povo, mas às testemunhas anteriormente designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com ele depois da sua ressurreição dos mortos. Mandou-nos pregar ao povo e confirmar que ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos”.

A segunda vinda de Cristo, no Novo Testamento, é sempre associada ao juízo. Este implica a condenação dos seus inimigos e a libertação dos que lhe foram fiéis.