A META DIVINA DA HUMANIDADE

                                                                           CALMEIRO MATIAS

 

 

 

 

A Divindade é uma comunidade de três pessoas.

A Humanidade foi concebida por Deus à sua imagem e semelhança.

Eis a razão pela qual,

A Humanidade está a edificar-se como comunidade de pessoas.

Por ser constituída por pessoas,

A Humanidade já faz parte da cúpula personalizada do Universo.

Em atitude de gratidão ao amor de Deus,

Podemos dizer que a Humanidade pertence ao melhor que a Criação foi capaz de produzir.

De facto,

A Humanidade é constituída por seres livres,

Conscientes,

Responsáveis

E capazes de comunhão amorosa.

O Homem,

Enquanto realidade universal,

Forma uma comunhão orgânica constituída pela totalidade dos seres humanos.

A Humanidade é como uma árvore gigante na qual,

O tronco e os ramos fazem uma unidade alimentada pela mesma seiva.

A Humanidade concretiza-se em pessoas.

Por esta razão,

No seu interior,

Tem densidade espiritual.

A Natureza Humana não é divina.

Mas foi divinizada pela graça de Deus que nos vem por Cristo ressuscitado.

Em Cristo o Divino enxertou-se no Humano,

A fim deste ser divinizado.

Por ser constituída por pessoas,

A Humanidade é proporcional à Divindade.

Eis a razão pela qual a Divindade se pode ligar organicamente à humanidade.

Está em processo de realização.

Acontece como emergência histórica no concreto de cada pessoa.

A Humanidade emerge de modo único,

Original e irrepetível no concreto de cada pessoa.

A Humanidade emerge em pessoas.

Estas constituem-se como seres com densidade espiritual.

Por esta razão os seres humanos atingires o nível da imortalidade.

Mas a plenitude da Humanidade só foi atingida pela ressurreição de Cristo.

Por outras palavras,

A ressurreição em Cristo só se atinge mediante a ressurreição,

Assunção e glorificação da pessoa na Família Divina da Santíssima Trindade.

Todos os que ressuscitam em Cristo ficam assumidos e gloriosos na comunhão da Santíssima Trindade.

A Humanidade,

Ao emergir de modo único, original e irrepetível em cada pessoa,

É como um jardim constituído por uma infinidade de flores todas diferentes entre si.

Por isso entre as pessoas ninguém está a mais.

É aqui que está o alicerce dos direitos humanos!

A Humanidade não é constituída apenas pelos que hoje vivem na História.

Estes formam a parte da Humanidade em gestação.

Mas além destes,

Existe a multidão dos que já atingiram a plenitude humana na comunhão universal.

Como já vimos,

A pessoa humana está a emergir como interioridade pessoal.

A sua densidade de vida é imortal.

A Humanidade está talhada para a divinização.

Os seres humanos que saíram da história fazem parte da comunhão eterna do Reino de Deus.

Jesus Cristo inaugurou a plenitude dos tempos,

Isto é,

A fase dos acabamentos.

No princípio dos tempos,

Deus veio,

Amassou e configurou o barro.

Depois deu-lhe um beijo e o hálito da vida divina passou para o interior do interior de Deus para o Homem (Gn 2, 7).

Este hálito é o Espírito Santo que vivifica e vai modelando a interioridade da pessoa à imagem e semelhança de Deus.

E o Homem tornou-se barro com coração.

Por outras palavras,

A construção da Humanidade tornou-se uma tarefa ética cuja lei é o amor.

E deste modo,

O princípio dos tempos começou a caminhar em direcção à sua plenitude.

Tal como aconteceu com o princípio dos tempos,

A plenitude dos tempos foi inaugurada com um beijo:

Também este segundo beijo,

A Encarnação,

Comunica ao homem o hálito da vida divina:

O Filho Eterno de Deus encarnou pelo Espírito Santo,

Dando início à divinização do Homem.

No princípio dos tempos,

O Espírito Santo foi dado à Humanidade como dinâmica que anima o processo da criação do homem,

Isto é,

A sua humanização.

O segundo beijo de Deus inaugura a plenitude dos tempos.

A comunicação do Espírito,

Na plenitude dos tempos,

É dado à humanidade como uma Água Viva que faz jorrar vida eterna no coração dos seres humanos (Jo 7, 37-39; 4, 14).

O Espírito Santo é a ternura maternal de Deus.

São Paulo Chama-lhe o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

O jeito de ser do Espírito santo é animar relações de comunhão e ser vínculo de comunhão orgânica no coração das pessoas.

É o Espírito Santo que nos incorpora na comunhão da Família Divina.

Ao chegar a plenitude dos tempos,

Como já dissemos,

Deus deu-nos outro beijo,

Inserindo a Humanidade na dinâmica dos acabamentos.

Isto quer dizer que,

Agora,

Os seres humanos são divinizados à medida em que se humanizam.

A História da Humanidade está marcada com o selo do Amor Criador de Deus!

A Humanidade vai sendo criada de modo gradual e progressivo:

Ao nascer da aurora,

Deus amassou o barro que serve de matriz à Humanidade.

Depois,

Deu-lhe um beijo e este ficou um ser animado pelo sopro vital de Deus.

Quando chegou o meio-dia,

Isto é,

O início da plenitude dos tempos,

Deus deu outro beijo à Humanidade e concede-lhe o dom da Salvação em Cristo.

Consciente de ter nascido de um beijo criador de Deus,

E sabendo que a sua plenitude se deve a outro beijo divino que é fonte de vida eterna,

A Humanidade tem o dever de celebrar o amor incondicional do Deus que a divinizou.

A paixão de Cristo é a expressão do amor incondicional de Deus.

Mesmo após o pecado dos homens,

Deus vem cheio de ternura ao cimo da colina na esperança de ver o filho pródigo regressar (Lc 15, 11-32).

Com Cristo ressuscitado,

A Humanidade recebe o grande dom do Espírito Santo,

O qual se comunica de maneira nova,

Restaurando a Humanidade distorcido por Adão e reconciliando de modo definitivo a humanidade com a Divindade (2 Cor 5, 17-21).

No princípio dos tempos,

Deus Pai sonhou a humanidade à imagem e semelhança da Divindade.

Na plenitude dos tempos

Deus Filho levou este sonho à plenitude através do beijo divinizante da Encarnação.

Deste modo a humanidade foi divinizada,

Pois Deus acolheu-a na própria Família da santíssima Trindade.

Eis a grandeza da Humanidade em construção.

Tem um rosto comunitário, tal como a Divindade.

Emerge no concreto de pessoas talhadas para o face a face da Comunhão Universal.

Nesta comunhão orgânica,

A pessoa só se possui na medida em que se dá.

A pessoa que se fecha ao amor impede a emergência da humanidade em si. Bloqueia a emergência da novidade no projecto humano.

A pessoa que procede assim edifica a situação de morte eterna,

Isto é,

Entra no estado de inferno que é o isolamento e a separação definitiva da comunhão universal.

A plenitude da humanidade não está nas pessoas isoladas, mas na comunhão orgânica universal.

Na verdade,

A plenitude da pessoa não está em si,

Mas na reciprocidade das relações de amor.

A interioridade da pessoa em gestação

É como o pintainho a germinar dentro do ovo.

Pelo acontecimento da morte a casca do ovo rebenta e nasce o pintainho.

É este o modo de o pintainho nascer e atingir a sua plenitude.

Por outras palavras,

Morrer é a derradeira possibilidade de nascer para a plenitude da comunhão com Deus.

Aleluia!