A MENSAGEM DO PRESÉPIO

                          Calmeiro Matias

Dos quatro evangelhos, apenas dois falam do Menino Jesus e dos acontecimentos maravilhosos que precederam o seu nascimento.

Este modo de proceder era muito frequente no mundo bíblico e chama-se “midrash”, isto é, uma elaboração literária em forma de relato histórico, mas que apenas pretende transmitir uma mensagem de fé.

Os relatos bíblicos que nos falam das grandes personagens bíblicas têm, normalmente, uma introdução em forma de “midrash”.

A finalidade deste procedimento era afirmar que a personagem que ia nascer é fruto de um desígnio de Deus e não da vontade do homem ou do desejo da carne e do sangue.

Aqui, o que mais nos interessa nos relatos de São Lucas e São Mateus é o episódio do Menino Jesus no presépio de Belém: Maria e José viviam numa pequena povoação chamada Nazaré. Mas, devido a circunstâncias estranhas à sua vontade, tiveram de viajar até uma cidade longínqua, chamada Belém.

O jovem casal ia muito preocupado, pois não conheciam ninguém na cidade. Além disso, não tinham casa garantida e o seu filho estava quase a nascer!

José, querendo tranquilizar Maria, ia-lhe dizendo que era quase impossível não haver uma pessoa ou uma família boa que os recebesse em sua casa, dadas as circunstâncias especiais em que se encontravam.

José fez o propósito de ir batendo a todas as portas, a fim de conseguir o abrigo tão importante nas circunstâncias em que se encontravam. José tentava explicar que a criança estava quase a nascer, mas ninguém se sensibilizava com a comunicação.

Dizia às pessoas que eram de longe, que não conheciam ninguém na cidade e, sobretudo, que o menino estava quase a nascer.

Mas em Belém ninguém tinha lugar para eles. E eis que, Maria, começa a sentir os primeiros avisos de que o menino ia nascer. O jovem casal teve a dolorosa experiência do que é ser pobre: ser rejeitado na altura em que mais necessitavam de apoio.

Por fim, uma família deixou-os ficar no curral dos animais. Terá sido por descargo de consciência ou realmente por que era uma família pobre? Devia ser uma família realmente pobre, pois só os pobres entendem a situação dos pobres. E foi aí que Jesus nasceu.

Quando a pessoa fecha o coração ao amor torna-se indigna de que Deus venha habitar a sua casa. E foi o que aconteceu às famílias de Belém.

As pessoas que se recusam acolher os pobres não têm consciência de que estão a fechar o coração ao próprio Deus. Nestes casos são os pobres os que entendem a situação dos pobres e os acolhem. Por isso Deus prefere os pobres.

Perto do curral onde Jesus nasceu havia um grupo de pastores que estavam a cuidar das suas ovelhas. Eram gente muito pobre. Dormiam em palhotas feitas com ramos de árvores. Deus mandou um mensageiro dizer aos pastores que o menino pobre que nasceu no curral é o Messias, o Salvador da Humanidade.

A princípio, os pastores ficaram cheios de medo, pois pensaram que podia ser uma artimanha de ladrões, a fim de se apoderarem das ovelhas, logo eles se ausentassem.

Para tranquilizar os pastores, Deus enviou-lhes um coral que cantava músicas de amor e de paz. Aqueles homens renderam-se à música tão celestial. Acreditaram em Deus e partiram para o presépio.

Já sem medo, esquecidos do rebanho e acreditando incondicionalmente na mensagem do Céu, os pastores começaram a correr em direcção ao local que o mensageiro divino lhes tinha indicado.

Nós, cristãos deste início de século e do terceiro milénio, não podemos esquecer que temos a missão de anunciar esta mesma notícia que os mensageiros celestes anunciaram. Deus gosta de nós e por isso o Filho de Deus se fez carne da nossa carne, a fim de nós sermos família de Deus.

Esta possibilidade foi-nos dada por Deus ao criar-nos à sua imagem e semelhança. A Humanidade é pessoas e a divindade também. Temos um coração capaz de comungar, não apenas com as outras pessoas humanas, mas também com as pessoas divinas.

Depois, de ser crescido, o Menino de Belém ensinou-nos que a maneira segura de amar a Deus é amar os irmãos, especialmente os pobres.

Deus é uma família de três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. O coração de Deus, portanto, é familiar. A salvação consiste em sermos incorporados como membros da família divina: filhos em relação a Deus Pai e irmãos em relação a Deus Filho. O Espírito Santo é o sangue de Deus a circular no nosso coração.

O Filho de Deus nasceu pobre, é o menino do presépio, a fim de nos ensinar que devemos abrir preferencialmente o coração aos mais pobres. Jesus ensinou-nos que, quanto mais formos irmãos dos outros, em especial dos pobres, mais somos filhos de Deus.

Se anunciarmos esta notícia, e os seres humanos a entenderem, a terra vai ficar cheia de pessoas a querer-se bem umas às outras. Então Deus terá condições para vir habitar no meio de nós. Será realmente o Emanuel e passará pelo meio dos pobres limpando as lágrimas dos seus olhos.